A bola de vidro
Começa como uma massa indefinida
Quente
Impossível de tocar...
De um vermelho vivo
Sem forma...sem nada
E então é soprada
Com cuidado...muito cuidado
e vai se transformando...
caprichosa
delicada
sensível a qualquer toque...
Transparente...
Segurada com cautela
É envolvida num veludo...
Macio e seguro...
Vigiada, sempre, pra que nada lhe aconteça...
Fruto do trabalho demorado e delicado
Guardando em seu interior o sopro
de quem lhe deu forma e vida
De quem lhe fez bela...
Aqui está, pássaro sem cor
É tua... só tua...
O sopro guardado aqui é o que te dou de mais precioso
Desavisado,então, o pássaro esvoaça...
Sem preocupação...
Alheio à dadiva...
Alheio a lagrima de vidro
Agora desfeita em mil pedaços


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